Carlos Edu Bernardes
Margaret Thatcher lançou o chamado
neoliberalismo, que era na realidade um
conservadorismo agressivo de um tipo que não era visto desde
1848, e que envolveu uma tentativa de reverter a redistribuição do Estado de
Bem-Estar, de modo a beneficiar as
classes superiores e não as
classes mais baixas.
A
dama-de-ferro começou a moda de
contração da emissão de moeda;
elevação da taxa de juros;
redução considerável dos impostos
sobre os rendimentos altos; abolição do controle sobre os fluxos financeiros; criação de níveis de
desemprego massivos; imposição de uma legislação
anti-sindical;
corte de gastos sociais; e lançamento de um
amplo programa de privatização que atingiu a
habitação pública, a indústria de aço,
o setor elétrico, a produção de petróleo, a produção de gás e o fornecimento de água. E a
coisa disseminou, com o
dublê de presidente Ronald Reagan nos EUA e com Collor e FHC aqui na
terrinha, só à título de exemplo.
Turminha boa! E depois,
como se não bastasse, ainda
alçamos ao poder esse tal de Lula, o
máximo da nossa burrice
urnística! Pelo menos até agora...
Resumindo: os ricos cada vez mais ricos, os trabalhadores cada vez mais oprimidos e fazendo trabalho de 10. O governo tirando o dele da reta quando o assunto é social, fazendo leilão entre poderosas empresas privadas transnacionais (e garantindo sua política pornográfica de preços ao consumidor) nas áreas de saúde, educação, telefonia, segurança e tantas outras. Ou seja, o governo não faz nada, controla tudo, recolhe impostos extorsivos e não tá nem aí. Precisa falar dos bancos? Lucros trimestrais L-Í-Q-U-I-D-O-S em bilhões de reais? Acho que não, né?
O marketing perverso ditando que o sistema é belíssimo (um novo carro: apenas R$52.000,00. Aproveite!), a população acreditando que ela é que não tem competência (então ela se volta contra ela mesma - pois o sistema é belo e não precisa ser mudado - e dá-lhe violência no trânsito; violência nos lares, drogas para todo lado...), que o negócio é cada um no seu mundo (no computador, no celular, no fone de ouvido) e se o MEU tá garantido que se dane o outro!
E, claro, nós, massacrados, ficamos sem tempo para reuniões de estudo, sem tempo para filosofar (pensar o país e não somente na sobrevivência), sem debates, com os professores de humanas cada vez mais marginalizados.
Antigamente discutíamos a política nas praças. Hoje quem tem um pinguinho de interesse escreve suas impressões nalgum blog, que quase ninguém lê.