27 de setembro de 2008

DURMA COM UM BARULHO DESSES...

Carlos Edu Bernardes

Hoje falarei de uma outra nata de imbecis. Daquela que instala um alarme no seu estabelecimento comercial e, para 'reduzir custos', não contrata uma empresa de segurança para fazer o monitoramento. E qual é o resultado? Os alarmes disparam por algum motivo qualquer - veículos com som muito alto, ventos mais fortes, etc... (claro, sempre à noite ou nos finais de semana) e esguelam até percebermos que hoje se fabricam baterias que não se esgotam, e, tchan-tchan-tchan, os proprietários do local não vão checar o que está havendo!

É realmente incrível depararmos com certas mentalidades nesse caos progressivo que está virando a nossa cidade. Várias residências, um hospital e edifícios sendo incomodados por um barulho insistente, chato, inoportuno e o responsável (?) sequer tem como saber se está sendo assaltado ou não! Dá para entender?

Três vivas à educação, ao respeito e à cidadania, onde que que elas tenham se escondido hoje em dia!

22 de setembro de 2008

ANIMAIS NO VOLANTE

Carlos Edu Bernardes

Conforme a cidade cresce, mais chances temos de topar com um número cada vez maior de imbecis. E a gama desses energúmenos é variadíssima! Neste post falarei um pouco (senão definharemos na frente da tela) dos imbecis do trânsito, fauna cada vez numerosa, que sentam atrás de um volante e fazem questão de cortar todo mundo numa velocidade absurda, mesmo que tenham que parar em cada esquina, pois quase não há esquinas aqui na cidade sem um semáforo. Dia desses, acreditem, um médico muito famoso aqui da capital ficou dando sinal de luz para me ultrapassar numa rua muito movimentada. Ele passou voando e... parou no semáforo! Parei tranquilamente do lado, olhei e percebi que ele estava com 3 filhos pequenos no banco traseiro, provavelmente para deixá-los na escola. Abri o vidro e educadamente perguntei para ele se adiantava dirigir naquela velocidade, com crianças no carro, numa rua tão movimentada e cheia de semáforos. Ele simplesmente sequer olhou para mim. É isso aí, Doutor! Então o semáforo abriu e lá foi o exemplo-da-sociedade de novo a toda velocidade... Dou conta?

Noutro dia, mais um débil mental (é, amigo, com tanto carro na rua esse tipo de bicho é figurinha bofeira: tá pra todo lado!) ficou buzinando para que eu aumentasse a velocidade, sendo que havia dois carros na minha frente e em menos de 50 metros percebia-se um semáforo que acabara de entrar no sinal vermelho. Fiz que não ouvi, mas o beócio cortou-me pela direita, reduziu a velocidade, virou as fuças para o meu lado e relinchou: " - Tudo isso é frustração de carro velho?". Eu olhei para o semblante do semovente, que se achava num desses carrinhos de plástico e respondi: " - Meu carro é antigo, velho é o seu!". E fechei o vidro, calmamente. Será que ele entendeu? Duvido.

Não é fácil não, gente!

14 de setembro de 2008

MAIS UMA...

Carlos Edu Bernardes

É. Nosso ouvido brasileiro é mesmo um pinico eterno. Como se não bastassem os "com certeza" para tudo quanto é pergunta ou resposta, além dos famigerados gerúndios "vou tá fazendo", "irei tá te ligando", "vou tá passando um fax" e por aí afora, outra imbecil moda linguística chega avassaladoramente para nos castigar mais ainda os ouvidos: o chatíssimo "Na verdade...".

Todos parecem ter descoberto, de uma hora para outra, a verdade dos assuntos do mundo, pois não há quase mais frase alguma que não comece com o "Na verdade...". Repare.

Valha-me, Deus!

4 de setembro de 2008

RETRATINHO

Carlos Edu Bernardes

Margaret Thatcher lançou o chamado neoliberalismo, que era na realidade um conservadorismo agressivo de um tipo que não era visto desde 1848, e que envolveu uma tentativa de reverter a redistribuição do Estado de Bem-Estar, de modo a beneficiar as classes superiores e não as classes mais baixas.

A dama-de-ferro começou a moda de contração da emissão de moeda; elevação da taxa de juros; redução considerável dos impostos sobre os rendimentos altos; abolição do controle sobre os fluxos financeiros; criação de níveis de desemprego massivos; imposição de uma legislação anti-sindical; corte de gastos sociais; e lançamento de um amplo programa de privatização que atingiu a habitação pública, a indústria de aço, o setor elétrico, a produção de petróleo, a produção de gás e o fornecimento de água. E a coisa disseminou, com o dublê de presidente Ronald Reagan nos EUA e com Collor e FHC aqui na terrinha, só à título de exemplo. Turminha boa! E depois, como se não bastasse, ainda alçamos ao poder esse tal de Lula, o máximo da nossa burrice urnística! Pelo menos até agora...

Resumindo: os ricos cada vez mais ricos, os trabalhadores cada vez mais oprimidos e fazendo trabalho de 10. O governo tirando o dele da reta quando o assunto é social, fazendo leilão entre poderosas empresas privadas transnacionais (e garantindo sua política pornográfica de preços ao consumidor) nas áreas de saúde, educação, telefonia, segurança e tantas outras. Ou seja, o governo não faz nada, controla tudo, recolhe impostos extorsivos e não tá nem aí. Precisa falar dos bancos? Lucros trimestrais L-Í-Q-U-I-D-O-S em bilhões de reais? Acho que não, né?

O marketing perverso ditando que o sistema é belíssimo (um novo carro: apenas R$52.000,00. Aproveite!), a população acreditando que ela é que não tem competência (então ela se volta contra ela mesma - pois o sistema é belo e não precisa ser mudado - e dá-lhe violência no trânsito; violência nos lares, drogas para todo lado...), que o negócio é cada um no seu mundo (no computador, no celular, no fone de ouvido) e se o MEU tá garantido que se dane o outro!

E, claro, nós, massacrados, ficamos sem tempo para reuniões de estudo, sem tempo para filosofar (pensar o país e não somente na sobrevivência), sem debates, com os professores de humanas cada vez mais marginalizados.

Antigamente discutíamos a política nas praças. Hoje quem tem um pinguinho de interesse escreve suas impressões nalgum blog, que quase ninguém lê.