10 de dezembro de 2008

SOCIEDADE EM DECADÊNCIA

Haroldo P. Barboza *

A sucessão de escândalos nacionais envolvendo figuras deprimentes da nossa política forma uma pirâmide de lama fétida que está corroendo as estruturas das entidades ora desacreditadas.

Principalmente as câmaras públicas seguidas de perto pelos palácios regionais da Justiça. E atropelando por fora, chegam os sindicatos que outrora defenderam os interesses dos trabalhadores e que agora defendem os empresários. O desrespeito está se alastrando sem controle entre os jovens que passam a acreditar que está tudo liberado e a desesperança de seus responsáveis está aumentando por perceberem que o futuro de seus herdeiros se mostra mais horrendo do que o suportável apesar de algumas tentativas de colocá-los num bom caminho.

As famílias que se acomodaram enfrentam uma luta desigual contra os amigos de esquina que distribuem drogas entre seus herdeiros largados sob a vigilância de games explosivos. Por esta tendência, jovens agridem índios, domésticas, lésbicas, gays e assemelhados. Fumam drogas a céu aberto, estupram menores e executam corridas noturnas de carros nas ruas das cidades na certeza de que nada acontecerá, pois a Justiça está sucateada e é fácil de ser "amaciada". Basta-nos ver com que facilidade os perigosos detentos usam celulares em suas celas nas prisões, como se fossem seus escritórios.

Adolescentes que queimam índios e afogam colegas nas piscinas estão livres e alguns já montaram consultórios! Só falta descobrirmos dentro de quantos anos (até quando a mídia pesada puder iludir os esfomeados) a convulsão social violenta eclodirá em territórios sacrificados penalizando milhares de inocentes arrastados para uma luta que não desejaram e não terão recursos para conter. Nem salvar seus herdeiros desprotegidos.

E mesmo embutido neste cenário de horror, certamente a tv lançará um "show da realidade" dentro de algum prédio abrigando habitantes desesperados pelas balas cruzando sobre suas cabeças disparadas por meia dúzia de meliantes que dominam as favelas inchadas que agora contornam os luxuosos condomínios. O último sobrevivente receberá um polpudo prêmio de U$ 1 MI.

Deve ser suficiente para cobrir as despesas com os enterros dos parentes falecidos.
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* Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ - Autor do livro: Brinque e cresça feliz

9 de dezembro de 2008

RIMAR RIMEI

Carlos Edu Bernardes

pode parecer dissonante
ou sem cabimento
dizer que a rima num poema
preferencialmente
só agrada ao declamante

a mensagem por não ter rima
não perde esteticamente
a plasticidade do corpo que a circunda
e se perder quero deixar-me levar por cima
ao gozo profundo nessa sensação dela oriunda
e esperar a título de gozação
na beatitude dos saciados que me fascina
uma negativa descrente da inspiração
geométrica quadrada sem bunda

o escritor literalmente ofendido
e que isso não confirma
atesta a inflexibilidade do seu estilo
pois é tentando ser milimetricamente ouvido
que ele não consegue dizer poeticamente
aquilo

5 de dezembro de 2008

O QUE É ESSENCIAL PARA VOCÊ?

Carlos Edu Bernardes

Imagine se isso ao redor do barco fosse dinheiro. O rio estaria melhor? Essa é uma questão difícil de ser assimilada pelo ser humano, principalmente o contemporâneo. É impressionante a velocidade da adoração aos bens materiais de algumas décadas para cá. Desde a chegada do capitalismo a todos os recônditos do mundo estamos presenciando, apreensivos, o desaparecimento de identidades e a extinção gradativa de hábitos e pensamentos que não levem puramente a um resultado material, financeiro. E essa velocidade tirou o gosto de se percorrer um caminho, de viver cada momento, de separar alguns momentos na vida para brincar com uma criança ou reparar no pôr-do-sol, em prol apenas de um resultado rápido e concreto. Ok. O dinheiro é importante, mas não é essencial como a água ou o ar, ainda possíveis de fazerem parte do nosso dia-a-dia e percebidos como valores primordiais, e imensuráveis, que têm. Uma carreira de sucesso (o que é o sucesso?) é importante, mas ter tempo para a família e filhos é essencial. Possuir um carro incrível para locomoção e lazer também é muito importante, mas ter com quem se encontrar e ser bem recebido nos lugares em que se chega, mesmo a pé, é essencial.

Talvez por isso o sistema vigente, predador, violento e excludente (esse capitalismo que vemos no controle de poucos tem pouca coisa do real capitalismo, onde oportunidades e direitos são iguais e onde a justiça é para todos) nos nuble o horizonte do bem estar. E nós o endossamos. E, zumbis, não nos empenhamos em ouvir a voz interior que nos pede coisas simples e essenciais, e promovemos o desaparecimento de vidas que também sequer tentaram pensar que ter as coisas, simplesmente, e cada vez mais, não gera sentimentos essenciais em que se apóia e regozija a alma. Cegamente vamos em busca de posses materiais, a qualquer preço, sobre qualquer valor, e, após obtê-las, olhamos ao redor e não entendemos o porquê de estarmos praticamente sozinhos e com uma incômoda sensação de vazio...

4 de dezembro de 2008

CONSUMO "CONSCIENTE"...