5 de dezembro de 2008

O QUE É ESSENCIAL PARA VOCÊ?

Carlos Edu Bernardes

Imagine se isso ao redor do barco fosse dinheiro. O rio estaria melhor? Essa é uma questão difícil de ser assimilada pelo ser humano, principalmente o contemporâneo. É impressionante a velocidade da adoração aos bens materiais de algumas décadas para cá. Desde a chegada do capitalismo a todos os recônditos do mundo estamos presenciando, apreensivos, o desaparecimento de identidades e a extinção gradativa de hábitos e pensamentos que não levem puramente a um resultado material, financeiro. E essa velocidade tirou o gosto de se percorrer um caminho, de viver cada momento, de separar alguns momentos na vida para brincar com uma criança ou reparar no pôr-do-sol, em prol apenas de um resultado rápido e concreto. Ok. O dinheiro é importante, mas não é essencial como a água ou o ar, ainda possíveis de fazerem parte do nosso dia-a-dia e percebidos como valores primordiais, e imensuráveis, que têm. Uma carreira de sucesso (o que é o sucesso?) é importante, mas ter tempo para a família e filhos é essencial. Possuir um carro incrível para locomoção e lazer também é muito importante, mas ter com quem se encontrar e ser bem recebido nos lugares em que se chega, mesmo a pé, é essencial.

Talvez por isso o sistema vigente, predador, violento e excludente (esse capitalismo que vemos no controle de poucos tem pouca coisa do real capitalismo, onde oportunidades e direitos são iguais e onde a justiça é para todos) nos nuble o horizonte do bem estar. E nós o endossamos. E, zumbis, não nos empenhamos em ouvir a voz interior que nos pede coisas simples e essenciais, e promovemos o desaparecimento de vidas que também sequer tentaram pensar que ter as coisas, simplesmente, e cada vez mais, não gera sentimentos essenciais em que se apóia e regozija a alma. Cegamente vamos em busca de posses materiais, a qualquer preço, sobre qualquer valor, e, após obtê-las, olhamos ao redor e não entendemos o porquê de estarmos praticamente sozinhos e com uma incômoda sensação de vazio...

4 comentários:

Fred Matos disse...

Ótimo post, Carlão.
Abraços

Carlos Edu Bernardes disse...

Obrigado pela leitura, Fred! Acredito que se não revermos nossos conceitos de bem-estar nós nos destruíremos sem dó nem piedade. Será que o homem não vê que está dando um tiro no próprio pé? Abração!

Besouro Blue disse...

O auto-retrato mais fiel dessa sociedade (brasileira) foi escrito por Aluísio Azevedo em "Casa de pensão", onde nós cidadãos somos o personagem Amâncio e a sociedade é João Coqueiro que não satisfeito de usufruir tudo que Amâncio tinha, o mata para que ninguém e nem ele usufrua de sua situação econômica. Triste? É deprimente. Ora vemos o mesmo Brasil retratado jaz anos que continua da mesma forma. Quem se arriscaria seguir a profissão de Santo hoje em dia? Eu hein...

Carlos Edu Bernardes disse...

Vou procurar para ler. Obrigado!